A Cidade PreOcupada, evento cultural das Oficinas do Convento, ocupou entre 14 de Junho e 9 de Julho os espaços de Montemor. Aqui um breve registo das exposições e instalações que trouxe à cidade.

21 de Junho, Galeria Municipal. Liliana Velho abre o seu mundo de corpos de mulher em fragmentos, de corações espetados, ossos tagarelas, pés abandonados, flores secas e pentes de todos os feitios, tudo desenhado a cerâmica em todas as cores do barro. Paulo Morais e Francisco Pinheiro reinventam, com apitos artesanais, mel, sementes e folhas, os sons de pássaros como se fosse de memória, como se já não houvesse pássaros de verdade. 28 de Junho, Galeria Municipal. João Sofio e Tiago Fróis fabricam desenhos: na sala, um plotter artesanal traça impassível as suas linhas de caneta, sem ligar aos visitantes, sem pedir um pouco de descanso, sem tomar um momento para ouvir o concerto. 2 de Julho, Oficinas do Convento. João Bastos, Nuno Torres e Tiago Fróis distribuíram microfones por vários pontos da cidade; os sons capturados são recebidos ao vivo por um misterioso artefacto montado sobre um tronco que faz de pêndulo, misturando-se ao acaso do movimento para engendrar inesperadas interferências e ocasionais melodias. Nuno Lemos apresenta trabalhos do seu projecto “Noon Walking” – é o Nuno que anda, passeando uma grande tela virgem ou um grande espelho pela cidade, numa dança de potenciais imagens, como se o mundo fosse sempre um lugar novo. 5 de Julho, Galeria Municipal. João Rolaça apresenta uma deliciada instalação, espécie de laboratório privado que traz memórias – falo por mim – de mundos flutuantes, de formas de uma paisagem antiga que florescem por uma última vez, de uma brisa leve e um mar revoltoso. Ana Almeida Pinto traz uma noite iluminada, linhas de luz numa câmara escura que desenham uma surda sequência de signos, reflectidas por um céu de fita magnética. 6 de Julho, Galeria 9Ocre. Renata Bueno e Susana Marques trouxeram à galeria paredes e mesas de trabalho, povoados pelos habitantes dos seus mundos criativos: cómicos seres em cartão canelado, borracha de pneus e veludo, desenhos e gravuras do maravilhoso e macabro país da Alice.