Encontros Literários Alface na Biblioteca Municipal
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De 26 a 29 de Outubro tiveram lugar, na Biblioteca Municipal, os Encontros Literários Alface 2017, dedicados à vida e obra deste ilustre filho de Montemor. Falecido em 2007, João Alfacinha da Silva, que assinava Alface, deixou uma larga, singular e irreverente obra e muitas memórias, evocadas, homenageadas e recitadas no Auditório da Biblioteca por catorze ilustres convidados e leitores de dentro e fora de Montemor-o-Novo. O programa incluía também a leitura encenada de alguns contos do autor e a exibição de Facas e Anjos no Cineteatro Curvo Semedo, filme cujo argumento Alface assinou. Na própria biblioteca está ainda patente, até ao final do mês, uma pequena mostra dos resultados de duas oficinas de construção de personagens e cenários de cinema de animação, dirigidas por Anne Leclercq e Alexandra Gonçalves com base no conto Um pai porreiro ganha muito dinheiro.
A propósito dos encontros falámos com Vítor Guita, professor na Universidade Sénior e nome incontornável do teatro amador local.
Qual foi a sua relação com o Alface?
– Convivi bastante com o Alface. Durante os cinco anos em que estudámos juntos no Externato Mestre de Avis fomos companheiros diários de estudo e de brincadeira. Com a partida dele para Lisboa estabeleceu-se um longo interregno em que nos víamos espaçadamente, sobretudo quando ele vinha de férias a Montemor. Voltámos a estar mais próximos nos dez últimos anos da sua vida, a partir do momento em que ele começou a aproximar-se cada vez mais da terra natal, para escrever com mais sossego.
Qual é a importância destes Encontros Literários dedicados ao escritor?
– Estes Encontros Literários permitiram dar ao público presente uma ideia da dimensão do escritor montemorense. Os testemunhos de editores e leitores, de quem com ele conviveu ou trabalhou nas rádios, na televisão, nos jornais, no cinema, não deixam quaisquer dúvidas de que o Alface roçava a genialidade. Foi também unânime a opinião de que o Alface era um indivíduo com muita graça e um ser capaz de construir grandes amizades.
Como vê a memória e o futuro da obra do Alface?
– A obra literária do Alface já marcou e vai marcando quem a lê. Nem sempre de leitura fácil, é um escritor surpreendente, desconcertante, de um humor inteligente, que trabalhou as palavras como só os melhores conseguem fazer. Afirmou-se, acima de tudo, como um extraordinário contista.
Para o leitor curioso em conhecer a obra do Alface, que livro recomendaria?
– O segredo para aderir à escrita de Alface está, muito provavelmente, na escolha dos seus livros, e em especial na primeira escolha que se faz. Eu recomendaria, como primeira leitura, A Mais Nova Profissão do Mundo ou o recém-editado Cuidado com os Rapazes.
Versão completa de uma notícia publicada na Folha de Montemor de Novembro de 2017.