Artigo escrito em conjunto com a Alexandra Rato e publicado no Estudo Prévio.

Resumo

Neste artigo discutimos o papel e o potencial da participação cívica em projetos de arte pública e comunitária a partir da nossa participação enquanto voluntários no Planisfério da Interculturalidade, que decorreu no Monte da Caparica (Almada) entre 2013 e 2015. Confrontaremos os processos, metodologias e valores adotados neste projeto com a literatura sobre arte pública, para defender que uma noção viável de arte pública participada implica uma deslocação da noção de autoria para a da co-criação, e que cabe multiplicar os lugares e oportunidades da participação na construção comum do espaço público.

O artigo retoma e desenvolve uma comunicação apresentada no colóquio Arte pública na era da criatividade digital, que teve lugar na Universidade Católica no Porto em Abril de 2017, e outra comunicação apresentado no II Encontro Internacional de Reflexão sobre Práticas Artísticas Comunitárias, no Porto, em Setembro de 2017. Na base destes trabalhos estão os contributos de todos os antigos voluntários que participaram num processo de reflexão sobre a sua experiência no PI em 2016 (os resultados estão arquivados em http://plataformapis.wordpress.com/). Neste texto refletimos, por nossa responsabilidade, sobre as conclusões e ideias a que temos chegado, tentando deduzir deste trabalho coletivo já desenvolvido algumas considerações mais gerais sobre a noção de autoria em projetos de arte pública participada. Por isso, enquanto neste texto se misturam muitas vozes – e queremos agradecer especialmente a Mariana Fernandes, Diana Pereira e sobretudo a Mário Rainha Campos pelos seus contributos – as conclusões são da inteira responsabilidade dos seus autores.