O Montado no Convento, de Manuel Casa Branca
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No Espaço do Tempo, no Convento da Saudação, está patente até ao fim de Agosto a exposição Montado no Convento, do pintor Manuel Casa Branca, bem conhecida nestas páginas. No claustro mostra paisagens de grande formato (160 x 100 cm na maior parte), com papel principal para os sobreiros, com as suas poses serenas e impertubäveis numa paisagem que muda a cada raio de sol ou sopro de vento ou se imobiliza sob o sol inclemente.
As pinturas, que escrupulosamente registam o nome científico da árvore retratado e a hora e local onde foi pintado, traçam uma geografia pröxima, familiar. Os Minutos, Monges, Carrascal, Vale Nobre, S. André, Adua… É uma homenagem a esta paisagem constitutiva de uma identidade local, porque pintar uma paisagem ou um árvore é também uma forma de entrar no tempo deles, de nos fazer convidados, uma forma de convivência e boa vizinhança.
Noutra sala, o pintor apresenta pinturas mais íntimas, um universo pessoal, quase de religiosidade doméstica, que recorre a outras técnicas (collage, assemblage, desmontagens, pequenas esculturas). Antas, troços de paisagem, silhuetas e signos, um relógio desfocado e, sem dúvida, sobreiros, traçam poéticas próprias. “Remontados,” como lhes chama o pintor com sentido de humor.
Um claustro solar (sol que, cada dia de novo, aquece as vetustas pedras) e câmara interior, assombrada por sossegados fantasmas pessoais.