De uma mesa-redonda entre Bryan Palmer, Leo Panitch e Chris Cutrone, publicada na Platypus, retenho este desafio do primeiro:

Bringing revolution back into the theory and practice of the Left in a more frontal way, reconnecting current thinking and struggles with the legacies of 1917 in the longue durée, is just one component of the contemporary challenge of our times.

O que também quer dizer que há um trabalho de recuperação crítica da história a fazer, que parte das lutas de emancipação e valores de liberdade e autonomia.

Enquanto à minha área, a história da arte ou da cultura, remeto para as propostas de Marcelo Expósito, que discutei num texto na Punkto em 2016. Reproduzo as conclusões desse ensaio-resenha:

O ponto mais importante para o caso português é talvez a necessidade de pensar em comum e a prazo. Não bastam posições críticas individuais: é essencial articular um discurso crítico partilhado desde a própria cultura com a actuação nas instituições, enquadrado por um projecto comum e auto-consciente. Acabo por isso com a noção de uma “cultura a três dimensões” que Expósito define brevemente no seu prefácio. E que consiste em:

  1. Os comportamentos, atitudes, valores e formas estéticas pelas quais uma sociedade se expressa, que se acumulam no tempo, mesmo se sujeitas à inovação permanente;
  1. A tradição de práticas que determinadas instituições reconhecem como um exercício criativo legítimo: a história das artes ou da literatura;
  1. As políticas públicas e regras escritas ou subentendidas que regem o funcionamento de um campo especializado (“a cultura”), com relativa autonomia frente ao resto da sociedade.

Para uma revolução cultural cidadã é então preciso articular estas três dimensões: a criação de novos valores partilhados, a recuperação crítica da nossa história criativa e o compromisso do campo profissional com o conjunto de mudança social.