Iluminismo africano
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Na revista digital Aeon, um texto do historiador de ideias Dag Herbjørnsrud sobre precursores africanos do Iluminismo do século XVIII. Duas figuras fascinantes: o etíope Zera Yacob (1599–1692), que desenvolveu uma filosofia fundada na razão entre 1630 e 1632, quando estava refugiado numa cave da perseguição de pensadores livres nesta altura (por obra de um Português, por certo: um jesuita converteu o rei Susenyos ao catolicismo, que logo se tornou religião oficial e única da Etiópia); e Anton Amo (c. 1703–1755), que nasceu no que hoje é Gana e, provavelmente raptado, acabou por ensinar durante duas décadas nas principais universidades alemãs.
Herbjørnsrud não deixa de fazer algumas caústicas comparações da obra destes dois com as principais figuras do pensamento iluminismo – Descartes, Kant, Hume, Voltaire – que, no que toca a temas como igualdade entre homens e mulheres, ou as “raças” humanas, eram bem menos iluminados. Levanta, também, um pouco do véu do contributo africano ao desenvolvimento do pensamento europeu por estas alturas, muito maior do que se costuma ouvir.