Na Comunicação e Sociedade 32 (respeitável revista do Instituto de Ciências Sociais, da Universidade do Minho) a tradução de um texto de Claire Raymond, professora na Universidade da Virgínia.

O ensaio é uma reflexão sobre a escrita do seu livro recente, Women Photographers and Feminist Aesthetics, e sobre as possibilidades e dificuldades de articular um “espaço do feminino” na arte, procurando “minar” o “desconforto social e intelectual” enquanto ao habitar deste espaço, de “ser mulher.”

O artigo também é uma muito boa amostra de certas propostas vindas da teoria feminista sobre a articulação do lugar do autor na própria escrita. Portanto, apesar de um artigo académico, está longe do (fingido) distanciamento de que este género de textos se costuma revestir, e tão pouco foge do pessoal.

Reproduzo as primeiras linhas:

Em outubro de 2016 terminei um livro intitulado Women Photographers and Feminist Aesthetics e enviei o original ao editor. O processo da escrita deste livro, em particular o processo de interação com muitas das fotógrafas e o seu património, intensificaram a minha consciência de quão problemáticos e contestados são os lugares culturais do feminismo. É possível existir realmente uma estética feminista? Qual é a força política das imagens fotográficas para que algumas dessas imagens possam corretamente ser chamadas de feministas? Escolho como minha definição de feminista uma força de ação política – feminista não significa uma ideia respeitante aos sentimentos de uma pessoa acerca de si mesma, mas, em vez disso, para ter um significado, feminista deve sugerir uma força que leva ao compromisso político. A estética feminista aponta para um ato político sob a forma de imagem.