Em busca da casa do nosso tempo
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Na Punkto, os arquitectos João Paupério e Maria Rebelo ensaiam uma busca do sentido da casa do nosso tempo – uma casa capaz de anular a “vida fictícia” da avaliação, do julgamento e da representação. Termos-chave: autonomia, jogo, ócio produtivo, emancipação, inacabamento. Em coerência com a sua afirmação de que esta casa está por fazer, recorrem aos filósofos (Agamben, Benjamin, Huizinga, Russel, Rancière, Foucault) e a duas quase não-casas, de que apropriadamente as imagens contam muito pouco. Estímulos para a imaginação, porque a casa e a comunidade em questão estão por inventar.
Nesse sentido, a reflexão sobre o espaço do lúdico não se empreende aqui como forma de hedonismo ou diletância, mas como modo de criticar e repensar os modos da nossa existência utilitária, (re)imaginando a arquitectura possível para uma outra forma de humanidade. A arquitectura para um homo inutilis, capaz de contradizer uma vida cansada pelo seu trabalho, devota ao consumo e consumida pelo seu próprio espectáculo. Uma humanidade para quem o trabalho não será mais uma forma de domínio ou de exploração, de virtude e de acumulação, mas de participação voluntária e consciente na construção de um espaço feito por todos e para todos, por um e para cada um.
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O nosso exercício, enquanto arquitectos, passará então por imaginar a casa dessa comunidade, isto é, fazê-la existir …