Texto de Helena Osório sobre o “estado da crítica de arte em Portugal num jornalismo sem espaço para a cultura,” na ArteCapital.

É um tema sobre o qual eu próprio tenho pensado nos últimos tempos, com conclusões bem diferentes das de Helena Osório. (O texto, onde discuto o livro Arte Crítica Política, com organização de Nuno Crespo, vai sair no próxima número da Re·Vis·Ta.) A meu ver, Helena Osório aborda o tema de uma forma excessivamente superficial; por sinal, nem menciona o livro de Nuno Crespo nem outra bibliografia impressa recente; parece que se ficou por aquilo que se encontra pela net.

O problema da crítica e do “jornalismo cultural” em geral é basicamente atribuido à falta de publicidade e de de investimento, de onde também a solução dos “grandes senhores da publicidade”:

Esperamos assim o regresso de muitas publicações culturais que marcaram as gerações do século XX e que os artistas, os críticos de arte e os jornalistas ditos culturais ganhem espaço para exprimirem os seus juízos de valor que fazem falta no panorama artístico e jornalístico português. Como esperamos que estes jornais e revistas recomecem a ser viabilizados pelos grandes senhores da publicidade que foram “arrumados nas gavetas” e que, antes, “financiavam” o jornalismo (e os editores), possibilitando-o.

Enquanto a mim, esperanças e soluções duvidosas. Mas talvez também há alguma razão: talvez não se dá suficiente importância à questão do dinheiro nas visões mais pessimistas sobre a crítica. Pode ser que a recessão de 2008 em diante deu um ar um pouco mais grave do que merecia à “crise” da crítica em Portugal, e talvez a aperente boom económico actual, e sobretudo o novo peso que nele tem a cultura (já se sabe, turismo, gentrificação, etc.), trará de volta o dinheiro para esta área, e assim atenuará um pouco a proclamação frequente da sua morte. Veremos nos próximos anos.

Contudo, isto não quer dizer que o problema da crítica se limita à falta de publicidade, e tão-pouco ele pode ser reduzido a um mero tema de jornalismo cultural. Agora mesmo leio estas frases do romancista Helder G. Cancela, que vão neste sentido:

Já dei por mim perplexo diante do silêncio, já aprendi a viver com ele. Não sou certamente o único. É legítimo que nos interroguemos acerca das estratégias de promoção de alguns autores. Mas, sobretudo, devemos reconhecer que o espaço da crítica está tão rarefeito que em temos práticos é determinado pelas opções de um muito reduzido número de pessoas. É deles a responsabilidade por quem escolhem promover ou silenciar. (Na Caliban)

O que vale para a literatura, vale igual e mais para as artes. Deixo o desenvolvimento do tema para a Re·Vis·Ta.


Em nota final, ainda um curioso argumento, de Helena Osório:

os jornalistas dos anos 80 e 90 do século XX, em Portugal, foram “basicamente formados” pelos brasileiros da Editora Abril e TV Globo que se fundiram no atual Grupo Impresa e estavam, então, mais à frente na comunicação social.

É mesmo? Eu não estava cá para o saber… (A aparente citação – as " " – não tem atribuição clara, talvez nem seja citação.)