Um artigo de Tessel M. Bauduin no Journal of Art Historiography sobre a exposição Fantastic Art, Dada, Surrealism, que teve lugar no MOMA em 1936–1937 e, pelo menos para públicos americanos, foi crucial para fixar e divulgar uma leitura do surrealismo enquanto gênero “fantástico”. Bauduin discute os raízes desta identificação por Alfred Barr, que não era evidente na altura, num texto muito bem pesquisado.

O artigo serve ainda como bom contraponto para a exposição “A partir do surrealismo” (Galeria Millennium, até 6 de Janeiro) onde a comissária (Raquel Henriques da Silva) também identifica surrealismo com a imaginação e o onírico, pelo menos de acordo com uma notícia na Umbigo Magazine (o texto é, de resto, irritantemente superficial).

O artigo de Bauduin integra o 17º volume do Journal, que também inclui uma voluminosa secção sobre retratos (“Reconsidering the origins of portraiture”).