No Arquivo Municipal, a exposição compêndio de observações fotográficas - luz e cegueira de Valter Ventura (até 21/4). Começa com o flash: a luz que permite a fotografia (luz que grava a imagem). Mas é também uma explosão, que em excesso cega ou pior. No limite, mata, e este limiar está lá: duas imagens do negativo produzido pelo clarão da bomba de Hiroshima, tão forte que gravou o contorno de qualquer obstáculo na pedra da calçada ou das paredes. Nestas duas imagens, os obstáculos desenharam-se com nitidez: um homem de bengala, outra figura apoiada a uma escada. Há um discurso surdo sobre a imagem, a luz e a violência que se dá dentro do trabalho de imagens, e que a mim me intrigou.

Falta dizer que Valter Ventura trabalhou com imagens de arquivos, além de fotografias suas.