Um ensaio de José Barreto sobre o que pode ter sido a última paixão, e o último poema, de Fernando Pessoa. O texto trata do que o título promete (uma possível última paixão de Fernando Pessoa pela Madge Anderson), e também de algo mais. No estranho universo pessoano faz sentido que a tal Madge Anderson, irmã da cunhada do poeta, parece ter tido os serviços secretos ingleses por empregador. Há um pormenor que seria ao gosto de Roberto Bolaño: ela casou-se, já em 1939, com Frederick William Winterbotham, chefe da Air Section do Secret Intelligence Service entre 1929 e 1945, que foi precisamente o autor do na altura famoso livro The Ultra Secret (1974), que deu pela primeira vez a conhecer a secreta história da decriptação durante a Segunda Guerra Mundial (nomeadamente da Enigma), onde Madge Anderson também terá trabalhado.

O ensaio inclui umas dez poemas de amor, e um vislumbre muito forte do último ano da vida de Pessoa, vislumbre da humanidade (a nossa comum humanidade) por detrás do poeta e dos poemas que é o que faz do texto algo que não é só para acadêmicos ou estudiosos da obra pessoana. Como tudo o que tenho vindo a ler de José Barreto (que generosamente põe tudo ou quase tudo que publica na sua página em Academia.edu), o texto, não obstante o tema amoroso e o confessado carácter conjectural, pauta-se por um grande rigor e atenção aos pormenores da história.

O texto saiu originalmente na revista Pessoa Plural. Há também uma tradução inglesa.