Os Cangaceiros

Disponível a versão digital do número de Outubro passado do jornal A Batalha. Entre discussões sobre que se passa (ou não se passa) na Catalunha, se o anarquismo deve continuar a perfilar-se “de esquerda,” uma entrevista ao editor do jornal, João Santiago, que fala do passado do anarco-sindicalismo, um divertido devanio do músico Ron Gallipoli, encontro um texto (de Rui Mário Pinto, p. 12-13) sobre os “Cangaceiros,” grupo francês anticarcerária de acção directa que foi activo entre 1977–1995. Partindo de inspiração situacionista, publicou Les Fossoyeurs du Vieux Monde, quatro números entre 1977 e 1983. Depois dedicou-se sobretudo à acção anticarcerária directa: sabotagem, roubo de planos de prisão, etc.

Guia de leitura sobre crítica literária marxista

De Daniel Hartley, mais uma guia de leitura na Période, desta vez dedicada à crítica literária marxista. Tema bem vasto, com contributos essenciais desde o marxismo. Hartley discute três linhagens: de Marx à União Soviética, com especial atenção ao Círculo de Bakhtine; o marxismo ocidental, com as figuras conhecidas de Lukács, Adorno, Benjamin, Sartre, Goldmann ou Althusser; e por fim a obra mais recente de marxistas britânicos e norte-americanos: Raymond Williams, Terry Eagleton e Fredric Jameson. Acaba com umas breves notas sobre crítica marxista literária contemporânea.

Iluminismo africano

Na revista digital Aeon, um texto do historiador de ideias Dag Herbjørnsrud sobre precursores africanos do Iluminismo do século XVIII. Duas figuras fascinantes: o etíope Zera Yacob (1599–1692), que desenvolveu uma filosofia fundada na razão entre 1630 e 1632, quando estava refugiado numa cave da perseguição de pensadores livres nesta altura (por obra de um Português, por certo: um jesuita converteu o rei Susenyos ao catolicismo, que logo se tornou religião oficial e única da Etiópia); e Anton Amo (c. 1703–1755), que nasceu no que hoje é Gana e, provavelmente raptado, acabou por ensinar durante duas décadas nas principais universidades alemãs.

Entrevista com Marta Mestre

Na Contemporânea, uma entrevista muito interessante com a Marta Mestre por motivo da exposição que organizou sobre a recepção e inscrição da arte da América Latina em Portugal (no Pavilhão Preto e Pavilhão Branco até 8 de janeiro). Saúdo a dimensão reflexiva e de abertura do seu discurso.