A memória da violência (Roberto Huarcaya)

Está no Palácio Galveias a mostra de fotografias do peruano Roberto Huarcaya, intitulada “Violência subtil”, até ao dia 15 de Janeiro de 2012. Contém trabalhos recentes, de 2009 a 2011. São 28 fotografias de grande formato mais três vídeos, segundo a folha de sala (a minha contagem mental falhou-me nos vídeos, só me lembro de dois). A instalação favorece um tipo de leitura que parte da sua presença num espaço concreto, de um percurso e uma leitura que daí possa decorrer.

Monumentalidade e espaço público em Lourenço Marques nas décadas de 1930 e 1940

Article-lenght summary of my master thesis, published in On the w@terfront 20 (January 2012), http://www.raco.cat/index.php/Waterfront/issue/view/18635.

Abstract: Lourenço Marques, actual Maputo (Mozambique), is subjected to a series of aesthetic interventions in its public space during the 1930s e 1940s. These seek to “monumentalize” and “portugalize” the city, responding to its recently acquired status as capital of the Colony. Two monuments appear as especially important and exemplary: the Padrão de Guerra, a lately built First War memorial (1935), and the monument to the hero of the “pacification campaigns” of the 1890s, Mouzinho de Albuquerque (1940).

Que mundo o de Thomas Struth?

Sobre a retrospectiva de Thomas Struth, no Serralves de 28 de Outubro de 2011 a 29 de Janeiro de 2012. O folheto da exposição está disponível aqui. É uma exposição que permite (pela primeira vez, segundo o museu) um olhar compreensivo sobre a sua carreira, cobrindo fotografias de 1978 a 2010. Foram as obras de grande formato da série dos museus, das últimas duas décadas, que mais me chamaram a atenção, e que são objecto deste texto.

Parachutist No. 2 (1963), de Allen Jones

Esta obra de Allen Jones integra as pesquisas formais e plásticas sobre a representação que desenvolveu a partir da sua prática docente. Partindo de um dado motivo, o seu trabalho do início dos anos 60 desenrola-se em séries onde explora temas como a representação do movimento, a conjugação das cores e a eficácia da imagem. Logo na primeira série sobre os autocarros londrinos, iniciada em 1962, começa a utilizar formatos irregulares, tal como acontece em Parachutist No. 2 [Paraquedista N.º 2]. Com isto, buscava reconduzir o quadro à sua materialidade, eliminando quaisquer sugestões de um espaço virtual além da tela. Não abdicava, contudo, da figuração de referências à realidade. Estes trabalhos são assim “imagens-objetos”, construídos a partir de um equilíbrio incerto entre representação e materialidade, forma e cor.

Biografia de Sarah Affonso

A vida de Sarah Affonso teve uma relação particular com a sua obra. Foram poucas as mulheres que souberam transpor em Portugal as barreiras sociais à afirmação das mulheres como artistas nas primeiras décadas do século XX. Foi a primeira mulher a frequentar, contra todas as convenções, o café Brasileira, no Chiado, o que ilustra não só os preconceitos do seu tempo mas também o espírito independente com que os encarava. Mas se, por um lado, o tempo em que viveu condicionou o seu percurso artístico, foram também as suas vivências e memórias que usou como matéria-prima da sua arte. Foi a partir da sua própria vida – da infância e dos laços de amizade e amor – que construiu uma linguagem e uma temática próprias.