Duas gravuras de André Goezu na colecção Gulbenkian

André Goezu (1939, Antuérpia, Bélgica) nasceu numa família judaica de Antuérpia, em vésperas da Segunda Guerra Mundial. Ao contrário do seu pai, morto em Auschwitz, escapou à perseguição Nazi, vivendo escondido no campo numa família de acolhimento. Nesta altura começou a desenhar, e o mundo simbólico particular que Goezu desenvolverá mais tarde radica nestes anos sombrios da infância. Exemplo é o recorrente motivo da árvore, que tem para ele uma dimensão de enraizamento e proteção.

André Goezu and works at the Gulbenkian Museum

André Goezu (1939) was born in a Jewish family in Antwerp, at the brink of the second World War. He escaped the fate of so many other Jews (among them his father) by living hidden with a host family in the Flemish countryside. Goezu has stated that it was during these years he started to draw, and the particular symbolic world he will later cultivate in his art appears to be rooted in these dark years of his childhood. An example would be the recurring motive of the tree, with its connotations of embeddedness and protection.

Obras de Antony Gormley na colecção Gulbenkian

Close II, 1993

Em Close II [Próximo II] há um corpo que se entrega à terra. O corpo masculino está, na escultura, por tradição ligado à posição vertical, ereta e dominadora, mas aqui está em absoluta horizontalidade, numa posição de extrema vulnerabilidade, onde nem há lugar para a heroicidade da derrota. Está, assim, nos antípodas da noção do monumento – não comemora, nem elogia; não tem rosto, nem a autoridade de um pedestal ou de um nome.

Ervand Kotchar na colecção Gulbenkian

Artista de origem arménia, Ervand Kotchar (1899–1979) teve breve fama no Paris de entre-guerras graças, sobretudo, às suas peintures dans l’espace (pinturas no espaço), resolução original do problema—eminentemente vanguardista—da inclusão do espaço e do tempo na pintura. Expôs ao lado de alguns dos artistas mais importantes da época, e foi um dos subscritores originais do “Manifesto Dimensionista,” de 1936, que juntava nome como Hans Arp, Francis Picabia, Kandinsky e Duchamp. No entanto, parte, neste ano, para a Arménia, onde, vítima da perseguição Estalinista, só voltou a expor nos anos 50. Esquecido nas histórias das vanguardas parisienses, conseguiu, nas últimas décadas da sua vida, um grande reconhecimento na Arménia, onde é hoje considerado um dos expoentes máximos da arte do século XX.

Gerrit Komrij: Uma tradução

Tradução de um fragmento deste escritor holandês, com nota biográfica final, sob pseudonímio de Frederico Luppe. Originalmente publicado na revista Paraquedas. Com alguma frequência se ouve o ditado de que a realidade imita a arte. Lá está mais um pedante, penso logo. O pedante surpreende-se ao ver, em frente dos seus olhos, na normalíssima normalidade, uma qualquer fantasia que só conhecia de um romance ou de um quadro. Uma fantasia de preferência algo bizarra ou doentia, que para o pedante mais valia ter ficado na cabeça do artista.

Charters de Almeida: Notas a propósito de uma exposição

Texto originalmente publicado na revista Paraquedas, sob pseudonímio de Ernesto de Carvalho. Qual é a cidade de Charters de Almeida? As seguintes notas propõem alguns pontos de partida para abordar esta pergunta. Partem da exposição Símbolos, vertigens, utopias (Reitoria da Universidade de Lisboa, 11 de Março–30 de Abril de 2013). Tendo por tema principal as “cidades imaginárias”1, que o escultor vai projectando e construindo desde a década de 1980, a exposição apresentava obras em suportes variados: da maqueta e escultura de pequena porte ao desenho e simulação digital.