Bandeirinhas de terra ao vento

Texto escrito para a exposição de arte participativa “Mastro do Monte”, que esteve na Biblioteca Maria Lamas, no Monte da Caparica, de 24 de Março a 21 de Abril de 2018. O texto foi impresso num caderno que também incluía o conto “A menina de todas as cores.”

Arte contemporânea? Duas exposições e um filme

O que é a arte contemporânea? Para quem se aventurou ao Cine-Clube no dia 15 de Março “O Quadrado”, do realizador sueco Ruben Östlund, deu uma resposta. O filme traz ao ecrã alguns dias atribulados na vida de um curador de um fictício centro de arte contemporânea sueco. No filme a arte servia de cínico reflexo de uma sociedade cega pelas suas próprias boas intenções, mas estão lá todos os males que se podem associar à etiqueta de “arte contemporânea”: a vacuidade do discurso “profundo”, a ligação pouco salutar ao dinheiro, a cegueira de uma elite que constantemente reivindica preocupações sociais. A arte contemporânea é tudo isto, mas não só, felizmente. E assim temos o mote para falar de duas exposições aqui perto que dão outras versões do que é ou pode ser arte hoje.

Um retrato de Fernando Vijande, na Fundación Suñol (crónica)

É uma exposição curiosa, esta da Fundación Suñol, que traça um retrato dessa figura importante mas muitas vezes pouco visível que é o galerista. A actividade de Fernando Vijande (1930–1986) começou em 1971, na galeria Vandrés, em Madrid; em 1981 abre a galeria Vijande, na mesma cidade, a cuja actividade a morte do galerista põe fim. O tempo coincide, portanto, com os tempos da transição da ditadura para a democracia em Espanha e toda a agitação cultural e artística da altura. Da censura à primeira exposição que organizou, “Eros y el arte actual en España,” em 1971, à apoteótica mostra de Andy Warhol, em 1983.

Retrato de Fernando Vijande